
Nos últimos dois dias, a comunicação social manteve acesa a discussão sobre um erro de arbitragem verificado no jogo da final da taça da Liga de Futebol Profissional disputado na noite de sábado passado. Jornais fizeramm títulos de primeira página e canais televisivos notícias principais dos seus blocos de notícias com este tema.
Sobre ele também tenho opinião e “opinião também tenho” sobre a sua excessiva utilização.
Antes porém quero dar a conhecer que gosto muito deste desporto. Joguei futebol, embora em escalões secundários, tenho formação como treinador tendo feito todo o percurso até à acção de formação final que concluí com aproveitamento elevado (passe a imodéstia) juntamente com, entre outros e apenas como referência, Manuel Cajuda, Fernando Santos, Alberto Costa, Jorge Jesus, Amílcar, Romeu, Mário Wilson Júnior; fui árbitro, amador, de futebol de salão; e sou adepto do S. L. Benfica.
Sintetizando: não houve, de facto, grande penalidade. O lance teve, de facto importância decisiva no resultado final.
Estes dois factos são, porém, circunstanciais. O árbitro, senhor Lucílio Batista confirma, após ter visto o lance através da televisão, que errou (utilizou, segundo a imprensa duas expressões diferentes: “Penálti por intuição” e “Na altura, foi com cem por cento de convicção de que estava a agir correctamente”). Intuição e convicção – aqui reside toda a diferença. A palavra mais usada pela comunicação social foi intuição e o que se verificou, decerto, foi convicção, ou seja, ele teve a “certeza” de que tal havia acontecido (não teve oportunidade de confirmar através da televisão). Se tal fosse possível não teria decidido contra o clube que, dizem os vizinhos (refere a imprensa) é o da sua simpatia.
Acontece que, se tivesse oportunidade de esclarecer dúvidas através de meios tecnológicos e porque, acredito, seja uma pessoa honesta, teria decidido de forma diferente, antes e depois desse lance, e com consequências imprevisíveis.
Pelo conhecimento que a minha experiência nesta área me proporcionou, direi que, quem tem a responsabilidade de arbitrar um jogo de futebol está sujeito ao erro mas nunca deve decidir por intuição mas sim por convicção.
Deste erro, grave é certo mas não grosseiro resultaram, entre outras duas situações que me chocaram particularmente: a reacção intempestiva do jogador “injustiçado”, de certo modo compreensível nos momentos imediatos mas muito menos aceitável quando da entrega das medalhas (e por estes actos decerto será punido) e a atitude deplorável do senhor João Braga, comentador na estação televisiva SIC, num programa que até não é desportivo, em que disse que o jogador não deveria atirar a medalha ao chão mas sim à cara do árbitro. Será que este senhor vai continuar comentador da SIC?
Mas o que mais me preocupa é a forma despudorada com que os órgãos de comunicação social utilizam estas “banalidades” transferindo para segundo plano situações de muito maior importância para a sociedade. Fica-se com a sensação, incómoda do regresso ao passado fascista quando o futebol era utilizado, sem culpa própria, para encobrir as acções inaceitáveis do regime.
Sobre ele também tenho opinião e “opinião também tenho” sobre a sua excessiva utilização.
Antes porém quero dar a conhecer que gosto muito deste desporto. Joguei futebol, embora em escalões secundários, tenho formação como treinador tendo feito todo o percurso até à acção de formação final que concluí com aproveitamento elevado (passe a imodéstia) juntamente com, entre outros e apenas como referência, Manuel Cajuda, Fernando Santos, Alberto Costa, Jorge Jesus, Amílcar, Romeu, Mário Wilson Júnior; fui árbitro, amador, de futebol de salão; e sou adepto do S. L. Benfica.
Sintetizando: não houve, de facto, grande penalidade. O lance teve, de facto importância decisiva no resultado final.
Estes dois factos são, porém, circunstanciais. O árbitro, senhor Lucílio Batista confirma, após ter visto o lance através da televisão, que errou (utilizou, segundo a imprensa duas expressões diferentes: “Penálti por intuição” e “Na altura, foi com cem por cento de convicção de que estava a agir correctamente”). Intuição e convicção – aqui reside toda a diferença. A palavra mais usada pela comunicação social foi intuição e o que se verificou, decerto, foi convicção, ou seja, ele teve a “certeza” de que tal havia acontecido (não teve oportunidade de confirmar através da televisão). Se tal fosse possível não teria decidido contra o clube que, dizem os vizinhos (refere a imprensa) é o da sua simpatia.
Acontece que, se tivesse oportunidade de esclarecer dúvidas através de meios tecnológicos e porque, acredito, seja uma pessoa honesta, teria decidido de forma diferente, antes e depois desse lance, e com consequências imprevisíveis.
Pelo conhecimento que a minha experiência nesta área me proporcionou, direi que, quem tem a responsabilidade de arbitrar um jogo de futebol está sujeito ao erro mas nunca deve decidir por intuição mas sim por convicção.
Deste erro, grave é certo mas não grosseiro resultaram, entre outras duas situações que me chocaram particularmente: a reacção intempestiva do jogador “injustiçado”, de certo modo compreensível nos momentos imediatos mas muito menos aceitável quando da entrega das medalhas (e por estes actos decerto será punido) e a atitude deplorável do senhor João Braga, comentador na estação televisiva SIC, num programa que até não é desportivo, em que disse que o jogador não deveria atirar a medalha ao chão mas sim à cara do árbitro. Será que este senhor vai continuar comentador da SIC?
Mas o que mais me preocupa é a forma despudorada com que os órgãos de comunicação social utilizam estas “banalidades” transferindo para segundo plano situações de muito maior importância para a sociedade. Fica-se com a sensação, incómoda do regresso ao passado fascista quando o futebol era utilizado, sem culpa própria, para encobrir as acções inaceitáveis do regime.

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