Por vezes, através dos órgãos de comunicação social tenho conhecimento de notícias que me deixam espantado. Nos mesmos, especialmente em televisão, encontro comunicadores que, presumidamente. são bons conhecedores da língua portuguesa e maltratam-na de forma inadmissível e comentadores, uns com discurso sobranceiro sobre temas dos quais têm conhecimentos limitados e outros que fazem afirmações contraditórias com matérias que lhes foram ministradas mas que, aparentemente não aprenderam. Tudo isto me despertou a vontade de exprimir o meu desespero com um "grito de revolta" e partilhá-lo com quem sinta da mesma forma. Daí o lançamento deste blog e o convite para que o partilhem comigo através dos vossos comentários.

terça-feira, 24 de março de 2009

Intuição e convicção, que diferença!!!








Nos últimos dois dias, a comunicação social manteve acesa a discussão sobre um erro de arbitragem verificado no jogo da final da taça da Liga de Futebol Profissional disputado na noite de sábado passado. Jornais fizeramm títulos de primeira página e canais televisivos notícias principais dos seus blocos de notícias com este tema.
Sobre ele também tenho opinião e “opinião também tenho” sobre a sua excessiva utilização.
Antes porém quero dar a conhecer que gosto muito deste desporto. Joguei futebol, embora em escalões secundários, tenho formação como treinador tendo feito todo o percurso até à acção de formação final que concluí com aproveitamento elevado (passe a imodéstia) juntamente com, entre outros e apenas como referência, Manuel Cajuda, Fernando Santos, Alberto Costa, Jorge Jesus, Amílcar, Romeu, Mário Wilson Júnior; fui árbitro, amador, de futebol de salão; e sou adepto do S. L. Benfica.
Sintetizando: não houve, de facto, grande penalidade. O lance teve, de facto importância decisiva no resultado final.
Estes dois factos são, porém, circunstanciais. O árbitro, senhor Lucílio Batista confirma, após ter visto o lance através da televisão, que errou (utilizou, segundo a imprensa duas expressões diferentes: “Penálti por intuição” e “Na altura, foi com cem por cento de convicção de que estava a agir correctamente”). Intuição e convicção – aqui reside toda a diferença. A palavra mais usada pela comunicação social foi intuição e o que se verificou, decerto, foi convicção, ou seja, ele teve a “certeza” de que tal havia acontecido (não teve oportunidade de confirmar através da televisão). Se tal fosse possível não teria decidido contra o clube que, dizem os vizinhos (refere a imprensa) é o da sua simpatia.
Acontece que, se tivesse oportunidade de esclarecer dúvidas através de meios tecnológicos e porque, acredito, seja uma pessoa honesta, teria decidido de forma diferente, antes e depois desse lance, e com consequências imprevisíveis.
Pelo conhecimento que a minha experiência nesta área me proporcionou, direi que, quem tem a responsabilidade de arbitrar um jogo de futebol está sujeito ao erro mas nunca deve decidir por intuição mas sim por convicção.
Deste erro, grave é certo mas não grosseiro resultaram, entre outras duas situações que me chocaram particularmente: a reacção intempestiva do jogador “injustiçado”, de certo modo compreensível nos momentos imediatos mas muito menos aceitável quando da entrega das medalhas (e por estes actos decerto será punido) e a atitude deplorável do senhor João Braga, comentador na estação televisiva SIC, num programa que até não é desportivo, em que disse que o jogador não deveria atirar a medalha ao chão mas sim à cara do árbitro. Será que este senhor vai continuar comentador da SIC?
Mas o que mais me preocupa é a forma despudorada com que os órgãos de comunicação social utilizam estas “banalidades” transferindo para segundo plano situações de muito maior importância para a sociedade. Fica-se com a sensação, incómoda do regresso ao passado fascista quando o futebol era utilizado, sem culpa própria, para encobrir as acções inaceitáveis do regime.

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